Quando internet era só um nome
Meu nickname nessa época em que ocorre a história era Jacksoutal, só pra te informar. Nasceu durante o Quake I, algo vindo de “já que sou o tal”, virou uma família, jacksoueterno, jacksoufive, jacksoublack, jacksoubrasileiro, jacksoulinda, jacksougirl, jacksoufoda, entre outros.
Certo dia, há muitos anos atrás, talvez 10 anos passados, estávamos, Running Wild, Rosinha, AfterImage, Pantera Negra, Fê, uma galera e eu, no bar Esconderijo, na quinhentos e alguma coisa norte, num IRContro (faz tempo mesmo, olha só, encontro de IRC!). Tinha muita gente na mesa, mas enfim, ao lado estavam algumas pessoas, ou melhor, umas garotas lindas que eu não conhecia. Uma delas me chamou muita atenção enquanto eu chamava a atenção de todos, rindo muito, gesticulando, logo a garota lindinha que eu não sabia o nome ainda se mostrou interessada em mim, era o que parecia. Essa garota estava bem no lugar da mesa que ninguém da galera sentava, em baixo da goteira do condicionador de ar, horrível!
Depois de muitos Hi-Fi’s, fui até a mesa onde ela estava, logo ao lado:
– Olá! Posso te fazer companhia no banho? – Perguntei.
– Oi, pode sim, mas tem que esperar sua vez!
– Tudo bem, tenho a noite toda mesmo!
Alguém gritou “Cacá” e ela olhou. Saiu correndo por sei-la-que-motivo…
– Espera garota, não ensaboei suas costas ainda! – Gritei…
Sai do recinto e fui jogar dardos no outro pavimento. Entediado pedi um troço qualquer para bebericar.
“Olha quem vem ai” pensei. Era ela, acenou e me chamou e começamos a conversar sobre qualquer coisa.
– Dezesseis aninhos… – Ela disse intimidada
– Dezoito… Claro que sim…
– É mesmo, nossa, não acreditei quando me falou…
– Prefiro música à poesia, mas serve…
– Aceita nisso?
– Apesar disso, gosto sim!
– Se puder, vai ser divertido…
– Qual motel?
– Virgem.
É não esperava esse excesso de sinceridade atravessando a conversa, mas… Conversávamos numa boa, apesar da informação não ter sido a melhor coisa que ouvi naquela noite. De supetão a Fê chega falando um monte de coisas desconexas talvez no telefone, sei lá:
– … Vai pro inferno caramba, não acredito mesmo nessa porcaria, tem uma camisinha ai Jack? Eu perdi a minha, ainda bem, odeio preservativo feminino… Tem ou não?
– Quê? Do que se trata? Eu não tenho uma aqui, digo, tenho, mas tenho só três, ou melhor… Qual era mesmo a pergunta?
– Licença… – Cacá – agora Carol – disse e saiu de pressa.
Não a encontrei durante o resto daquela noite, que pena.
Bom. Duas semanas depois a encontrei em outro boteco, conversamos um bom tempão, me disse que passara o sábado anterior com a Fê, conheceu ela melhor, trocaram umas idéias, enfim. Tomamos uns drink’s, comemos alguns petiscos e a convidei para dar uma volta, quem sabe ouvir outra coisa no carro. Catei a garrafa de vinho branco acompanhado do balde, taça e gelo e seguimos até o carro. Começamos um papo gostoso e sem compromisso:
– Também gosto… – Ela disse
– Hahahaha… Já vi coisas piores
– Não sei…
– Eles chegavam pela manhã, sempre pela manhã…
– Estou gostando de você…
Já estávamos no estágio legal, “mão naquilo aquilo na mão” e ela ficou meio nervosa, o que era perfeitamente normal.
– Eu não estou pronta…
– Para? Que? Eu não disse nada…
– Eu sei cara, mas sei lá, tenho que ir…
– Claro que não, eu… Eu… Eu te levo em casa… Calma.
– Não. Não precisa…
– Então o que Carol?
– Nada… É que a Fê disse…
– Hã? Hein?
– Esquece… Até mais! – Abriu a porta do carro e saiu sem olhar para trás.
“Puta merda, meu esquema furou e eu não precisei fazer nada errado” pensei profundamente. Bom, como nada me atrai em bares d’um modo geral, me despedi do povo e sai fora – queria mesmo sair à francesa. Cheguei em casa e pensei em tudo, mas não vi nada de mais no que aconteceu. Não existia motivo aparente para a desistência, tampouco sair sem dar nenhuma explicação.
Então na segunda-feira encontrei a Fê e fomos matar o tempo no seu apê, falamos um pouco e decidi erroneamente tira aquela história a limpo e perguntar o que ela disse para Carol.
– Nada de mais lindinho, falei pra ela tomar cuidado na primeira vez principalmente, usar camisinha, escolher um cara ao menos carinhoso e que não existe príncipe encantado… Essas coisas normais.
– Ou seja, você obviamente me indicou para esse cargo, essa cruel tarefa, para descascar esse abacaxi, quebrar esse galho, né?
– Se liga Jack, não disse nada sobre você, eu te adoro, mas nem tanto, faz seu filme você, oras. Falei sobre homens em geral e coisas de mulher.
– Não, espera aí! Ela saiu praticamente correndo, sumiu do mapa e a última coisa que falou foi “a Fê disse que…”. Não pode ter sido só isso! E ai? Desembucha Fê.
– Qual é Jack…
– Fala, estou esperando!
– OK, ok, vamos lá! Disse que todo homem é muito carinhoso até comer a gente, depois não ligam, não mandam flores, alguns fingem que não conhece até…
– Isso não faz sentido, sou extremamente carinhoso, cuidadoso, atencioso, e ligaria no dia seguinte, é costume.
– E disse que o pior acontece, na pior das hipóteses, na mesma noite…
– Hã!? – Rosnei puto.
– É! Tem homens por ai que acabam de gozar e arrumam um milhão de desculpas para sair fora. De uma hora para outra eles são padeiros, leiteiros, empresários com reuniões importantíssimas marcadas às 6 da manhã. Descaradamente não podem demorar por que esqueceu a chave de casa ou tem que tomar o remédio controlado. Pois é, você sabe que é assim, não sabe Jack?
– Sei que EU não sou assim!
– Jack, se você vai mesmo ficar com ela, tudo bem, mas vê se não sacaneia tá?
– Você interferiu no processo natural das coisas…
– Faça ela feliz!
– É. E o que você acha que eu estava tentando fazer com ela no carro?























É isso ai mesmo que rola na maioria das vezes!
Tô com a “Fê” e não abro… mas tb tem aquela tal história né, só “dá” quem quer, então nada de ficar choramingando pelos cantos depois se o fulano não ligar no dia seguinte!
Beijos
É a popular empata foda.Clássico.
Concordo contigo, nem todos os homens são pilantras … é lógico que isso não é motivo para a Caca se descuidar … mas e ae, nunca mais encontrou ela??